Pistolas Glock - Áustria

A primeira das pistolas automáticas desenvolvidas pela Glock, a modelo 17, surgiu de um requerimento das Forças Armadas austríacas, elaborado em fevereiro de 1980, para uma arma de uso pessoal moderna para substituir a veneranda Walther P38. Interessante notar que até aquele momento a empresa era apenas uma pequena metalúrgica, que fornecia alguns itens para o Ministério da Defesa como facas, baionetas e ferramentas para cavar trincheiras, sem nenhuma tradição na fabricação de armas de fogo. Mas seu proprietário, o engenheiro mecânico Gaston Glock, rapidamente procurou se inteirar dos critérios e exigências da licitação, apesar do fato de que competiria, com alguns dos mais tradicionais fabricantes de armas da Europa. Era uma ampla lista com padrões altíssimos de confiabilidade e facilidade de uso e manutenção. Diante da incredulidade de muitos, Glock resolveu ir em frente e entrar na concorrência. Seu primeiro passo nesse imenso desafio foi se familiarizar com os modernos projetos de armas curtas. Adquiriu numerosas pistolas, que desmontou e estudou atentamente, dedicando atenção especial aos princípios fundamentais de seu funcionamento. Além disso, em maio de 1980, também reuniu um grupo de especialistas respeitados internacionalmente para consultas a respeito do que gostariam de ver na próxima geração de pistolas automáticas. Munido com as informações necessárias e com a ajuda de um pequeno grupo de técnicos e engenheiros, começou a produzir um protótipo e em 30 de abril de 1980 entrou com um pedido de patente da nova arma conhecida como Glock 17. Bastava uma olhada para que um apreciador bem informado visse que ali estava algo diferente, Em determinados aspectos, a Glock era familiar: uma pistola de recuo curto operada com ferrolho, alimentada por um carregador bifilar removível inserido na coronha, que usava o onipresente cartucho 9 mm Parabellum. Mas ao olhar com mais atenção um mundo de diferenças em relação ao convencional começava a aparecer. Primeiro, como era construída. Embora as especificações do Exército austríaco estipulassem que a nova pistola não poderia exceder 58 peças, a Glock 17 tinha apenas 34 componentes e todas as suas peças eram intercambiáveis com qualquer outra Glock. Isto foi possível porque ao investir na uniformidade total permitida pela usinagem CNC computadorizada, Glock desenvolveu uma coleção absolutamente uniforme de peças. Além de ser uma característica atraente para a manutenção da arma, permitem que estes componentes sejam agrupados logicamente em seções que, em muitos casos, podem ser desmontadas, montadas e modificadas sem o uso de qualquer ferramenta. Outro aspecto da Glock que se destacou foram as matérias-primas usadas em sua fabricação. Muitos acreditam que a maior parte da estrutura das pistolas Glock é moldada em material plástico; em termos de peso, a arma ainda tem 83% de aço. Além disso, o "plástico" utilizado é na realidade o "Polímero 2" desenvolvido pelo próprio Glock, um material reforçado sem fibra de vidro e ainda mais forte que o aço-carbono, apesar de muito mais leve, e com imensa resistência a temperaturas extremas podendo suportar variações de -40ºC a +60ºC. Dele são feitos a armação, a guia da mola recuperadora, o retém do carregador, o gatilho, o guarda-mato e próprio carregador. Em termos práticos, isto significa uma arma muito leve com peso total de 660 gramas, e ainda assim muito sólida e resistente.

Outra matéria-prima que merece ser mencionada é o revestimento em "Tenifer" aplicado a muitos componentes de aço, como a alma e o exterior do ferrolho. Consiste de um processo em que nitrogênio e carbono são difundidos em metais não ferrosos para aumentar sua resistência. Na prática isso significa que as principais partes metálicas da Glock têm grande resistência a arranhões, abrasão e corrosão. Internamente é que as pistolas Glock revelam a sua natureza inovadora. Para começar temos que atestar a capacidade padrão da Glock 17: dezessete cartuchos, em um arranjo bifilar dentro do pente; a inovação do mecanismo de recuo curto, que trava o cano e o ferrolho para o disparo e do mecanismo que os solta durante o recuo, em uma ação simples, engenhosa e robusta. Um detalhe que chamou a atenção dos especialistas é que a Glock não tem "cão". Em vez dele, há um precussor com mola ativado pelo gatilho. A segurança era uma das principais questões enfrentadas por Glock para conquistar a aceitação da nova arma. A pistola não possui nenhuma trava de segurança externa. Na verdade, a segurança está embutida em vários níveis dentro dela. Quando se examina com atenção a tecla do gatilho, vê-se uma pequena lingueta adicional que se projeta da face da peça. Se a mesma não for pressionada quando se aciona o gatilho, uma peça atrás dele se comprime contra o chassi e impede o disparo. Em segundo lugar, a segurança do precussor. Há um pequeno pino com mola que se projeta para cima dentro dele e o mantém firme no lugar. Somente a pressão no gatilho soltará o pino do precussor e permitirá que a arma dispare. Ainda há um mecanismo de segurança antiquedas, prevenindo contra disparos acidentais. No geral, a nova Glock 17 era leve, fortíssima, confiável e oferecia um nível de poder de fogo que a maioria das outras pistolas não podia igualar. Na licitação do Ministério da Defesa austríaco então tinha um novo concorrente, que estava no setor de armas de fogo há pouco mais de um ano, competindo com alguns dos nomes mais poderosos: Heckler & Koch, SIG Sauer, Beretta, Fabrique Nationale e Steyr. E graças as suas inúmeras vantagens frente aos rivais, a Glock incrivelmente venceu a disputa. Em 5 de novembro de 1982, a empresa foi informada que a Glock 17 seria a nova pistola padrão do Exército austríaco e foi assinado um contrato para o fornecimento de 20.000 unidades. Foi só o começo da épica história de sucesso das pistolas Glock. Hoje são fabricados cerca de 25 modelos de pistolas Glock, em diversos calibres, cada uma com características específicas para atender tanto mercado militar quanto o civil. Estima-se que 70% do efetivo das forças policiais americanas (estaduais e federais) estejam portando um dos modelos de pistolas da Glock. Além disso muitas Forças Armadas ao redor do mundo adotaram-na como arma pessoal padrão, incluindo um sem número de unidades de Forças Especiais. Principais usuários, dentre mais de 50 países nos cinco continentes: Áustria, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, Grã-Bretanha, Holanda, Índia, Israel, Jordânia, Malásia, Noruega, Paquistão, Polônia, Rússia, Suécia e Suíça.


Origem
  
Áustria (dados ref.ao modelo Glock 17 Gen4)
Calibre
9 mm Parabellum
Comprimento total
20,2 cm
Peso
710 gramas (sem munição)
Comprimento do cano
11,4 cm
Carregador
17 projéteis
Usuários
Mais de cinqüenta países, nos cinco continentes
(em diversos modelos)

 


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