Combatentes



Piloto do 100° Grupo de Bombardeio - EUA
Segunda Guerra Mundial
Atuação: Europa - 1943 a 1945

Na maioria das Forças Armadas geralmente existem unidades que se destacam por sua má sorte, infelicidade ou destino trágico. Seja por missão, designação ou por obra do destino, essas organizações desafortunadas muitas vezes alcançam um status lendário, porém reverenciado, entre suas unidades irmãs. Para a Força Aérea do Exército dos EUA (USAAF) durante a Segunda Guerra Mundial, esse tipo de reputação foi conquistado pelos membros do lendário 100º Grupo de Bombardeio (100th Bombardment Group), da Oitava Força Aérea. Voando os famosos Boeing B-17 Flying Fortress, as "Fortalezas Voadoras", ficou conhecido como o "Bloody Hundredth" ("100° Sangrento") devido às severas perdas em combate. Como parte da Ofensiva Combinada de Bombardeio sobre a Europa, o 100th BG pareceu sofrer desproporcionalmente nas mãos da Luftwaffe alemã, com seus membros sendo tanto respeitados quanto alvo de pena por outras tripulações de bombardeiros. Sua reputação era bem conhecida em todo o VIII Comando de Bombardeio como uma unidade amaldiçoada, com as chances de sobreviver a uma sequência de 25 missões parecendo uma mera possibilidade. Estabelecido em 28 de janeiro de 1942 e ativado em 1º de junho, o pessoal do Grupo começou a se reunir na Base Aérea do Exército de Walla Walla, em Washington. No final de maio de 1943, atravessaram o Atlântico Norte e chegaram ao Reino Unido em 9 de junho. Sobrevoando os campos verdejantes da Inglaterra, os 36 bombardeiros e suas tripulações do 100º Grupo de Bombardeio finalmente seguiram para a base da unidade, a Estação 139, localizada em Thorpe Abbotts, na região de East Anglia, a cerca de 145 km de Londres. O aeródromo incluía três pistas que se cruzavam e 50 posições de estacionamento de aeronaves, além de um depósito de bombas, áreas comuns, áreas técnicas, uma torre de controle e um clube de oficiais apelidado de "Asas de Prata". No bar, havia um semáforo: vermelho significava que não havia voos programados, amarelo indicava uma possível missão e verde indicava que uma missão estava a caminho. O Grupo realizou sua primeira missão de combate em 25 de junho, contra alvos em Bremen e arredores. Voando em uma formação composta por 275 bombardeiros, o 100º enviou 17 tripulações de B-17, que avistaram seus primeiros caças alemães enquanto também recebiam sua primeira barragem de canhões antiaéreos (Fliegerabwehrkanone) da Luftwaffe. No total, 18 bombardeiros foram perdidos, sendo três do 100º Esquadrão. O batismo de fogo teve um efeito impactante, já que cada bombardeiro abatido do Grupo levava consigo dez homens. Mortos ou capturados, a perda de 30 aviadores ressaltou a natureza mortal e implacável da guerra aérea. Em agosto, o Grupo participou de uma de suas missões mais sangrentas, que ajudou a consolidar parte de sua infame reputação. Em 17 de agosto de 1943, a 4ª Ala de Bombardeio realizou a primeira missão de transporte de aeronaves, partindo de East Anglia, bombardeando a fábrica de aviões alemã em Regensburg e seguindo para o Norte da África. Voando baixo e na retaguarda da formação maior de bombardeiros, o 100º Grupo de Bombardeio sobrevoou o que era frequentemente chamado de "Canto do Coração Púrpura". Os caças alemães costumavam atacar os bombardeiros primeiro nesse local e depois avançavam para cima. Embora a Divisão tenha atingido o alvo com sucesso, a força de Regensburg perdeu 24 bombardeiros. O 100º Grupo sozinho perdeu nove dos 22 aviões que lançou naquele dia — uma taxa de perda de 40%. Durante esse ataque, o 100º Grupo sofreu mais baixas do que qualquer outro grupo.

Talvez nenhuma outra missão tenha consolidado a reputação do 100º Grupo de Bombardeio como o ataque a Münster, em 10 de outubro. Visando moradias operárias no Vale do Ruhr, o Grupo lançou 13 aviões, um deles pilotado pelo reflexivo e erudito 1º Tenente Robert Rosenthal. Aos 25 anos, "Rosie" era mais velho que a maioria dos pilotos e havia se formado em direito antes de se alistar. Mais importante ainda, ele era judeu e, compreendendo claramente a ameaça nazista, via seu serviço como uma obrigação moral. A caminho do alvo, o Grupo sofreu os ataques mais violentos da Luftwaffe até então, com os bombardeiros sendo atingidos tanto por fogo antiaéreo quanto por caças. Conforme a formação se dirigia ao ponto inicial, os aviões do 100º Grupo foram abatidos um a um. Apenas "Rosie" conseguiu chegar ao alvo. Com seu próprio avião atingido, ele continuou o ataque. Lançou sua carga, perdendo também dois motores, o sistema de intercomunicação e o sistema de oxigênio. Como o único avião dos 13 lançados a retornar para Thorpe Abbotts, "Rosie" logo ganhou status lendário. Sua reputação continuaria a crescer à medida que completava duas missões, era abatido duas vezes, escapava da captura e recebia a Cruz de Serviço Distinto, duas Estrelas de Prata, duas Cruzes de Voo Distinto (além do equivalente britânico) e dois Corações Púrpura. Apesar da bravura e da perícia de Rosenthal naquele dia, com as perdas do Grupo sobre Munster, o 100º agora era firmemente rotulado como uma unidade amaldiçoada. A despeito do fato de que os bombardeiros americanos voavam em formações defensivas, as missões de ataque realizadas em plena luz do dia provocavam pesadas perdas nas mãos dos caças da Luftwaffe. Durante o bombardeio sobre Schweinfurt em 14 de outubro de 1943, por exemplo, de um total de 291 aeronaves que participaram da missão, 60 B-17 Flying Fortress foram abatidos e outros 133 foram danificados. O ataque ficou conhecido como a "Quinta-feira Negra" da Oitava Força Aérea, resultando em uma reavaliação da tática de bombardeios diurnos, apesar do resultado do ataque no qual três das cinco fábricas alemãs de rolamentos terem sofrido pesados danos. Os americanos defendiam a tese de que bombardeios diurnos, de alto risco para as tripulações, permitiam atacar alvos estratégicos com maior precisão, diminuindo os efeitos colaterais sobre a população civil. Já os britânicos, revoltados com os bombardeios alemães sobre Londres e outras cidades desde o início da guerra, preferiam ataques noturnos simplesmente para causar o máximo de destruição às cidades alemãs e com isso, abalar a moral do inimigo. Embora o 100º Grupo de Bombardeio tivesse a reputação de ser uma unidade azarada, essa distinção era mais mito do que realidade. Ao longo da guerra, o Grupo não sofreu perdas estatisticamente maiores do que qualquer outro e, em algumas missões, saiu ileso. Considerando as perdas da Oitava Força Aérea devido à condução da Operação de Bombardeio de Precisão (CBO), a maioria dos grupos de bombardeiros sofreu perdas em uma proporção relativamente uniforme. No entanto, os ataques a Regensburg e Munster criaram uma percepção difícil de dissipar. Além dessas missões, as personalidades marcantes que compunham as fileiras da unidade contribuíram para sua reputação singular. Homens como o comandante Chick Harding, os majores John "Bucky" Egan e Gale "Buck" Cleven, o navegador Harry Crosby e "Rosie" Rosenthal contribuíram para a história e a reputação distintas da unidade. O conjunto de missões, ações e personalidades criou uma sinergia que fez do 100º Grupo de Bombardeio uma das unidades mais lendárias da Segunda Guerra Mundial.

A tripulação do B-17 Flying Fortress consistia de 10 homens: piloto, co-piloto, navegador, artilheiro responsável pelo lançamento das bombas, engenheiro de voo, operador de comunicações e quatro artilheiros para as metralhadoras defensivas (duas nas laterais, uma na torre giratória ventral e uma na cauda). Os demais, além de suas funções específicas, também operavam as metralhadoras na torre dorsal e na estação no nariz da aeronave. Para enfrentar as temperaturas congelantes quando voando em altas altitudes, os tripulantes vestiam o macacão de voo integralmente forrado com lã de ovelha e de alpaca, sobreposto pelo colete salva-vidas, completados pelo capacete de couro A-11 integrado com os fones de ouvido, óculos de voo B-8 e máscara de oxigênio A-10.




 



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