Combatentes



Mergulhador de Combate - Itália

Segunda Guerra Mundial
Atuação: Mediterrâneo - 1941 a 1943

Inspirada pelos ataques bem-sucedidos contra navios aliados ancorados em Gibraltar, lançados do submarino italiano "Scire", a Decima Flottiglia MAS decidiu elevar a aposta e estabelecer uma base de operações na cidade espanhola de Algeciras, bem debaixo do nariz dos britânicos, no que ficou conhecida como a "Operação Ursa Maior". Então os italianos alugaram um imóvel na costa da Espanha, país neutro na guerra mas que tolerava ações em seu território, com vista para a Baía de Gibraltar e para o lado oeste do Rochedo, incluindo o porto e as áreas de ancoragem. Como base de operações usariam um navio petroleiro em reparos, o "Olterra" que foi rebocado para o porto de Algeciras, ficando atracado quase diretamente sob as janelas do Consulado Britânico. Na primavera de 1942, eles converteram o petroleiro em um depósito oculto para seus torpedos tripulados, apelidados de maiale (porco, em italiano). Do navio, eles podiam lançar os maiale e os mergulhadores de combate debaixo d'água, permanecendo invisíveis a qualquer observador. A nova "tripulação" havia entrado na Espanha usando nomes falsos, carteiras de identidade e diários de bordo, supostamente para realizar os reparos no navio. Um posto de observação foi criado em uma cabine no castelo de proa, enquanto, nas profundezas do navio, os porões foram convertidos em oficinas para a montagem e manutenção dos torpedos humanos. Quando os tanques de lastro foram esvaziados e o navio voltou à posição correta, havia uma escotilha, 2 metros abaixo da linha d'água, que atravessava o casco e dava para uma piscina interna. Os mergulhadores tinham então uma maneira de entrar e sair do navio sem serem vistos da superfície. Em 13 de julho de 1942, como o "Olterra" ainda não estava totalmente pronto para iniciar as operações, os mergulhadores de combate foram transferidos para o imóvel alugado, onde poderiam continuar suas observações do porto comercial de Gibraltar. Naquela noite, doze deles deixaram a casa, usando seus trajes de mergulho pretos Belloni e carregando seus equipamentos de respiração, máscaras e nadadeiras. Cada mergulhador carregava também três minas, conhecidas como cimici ou "insetos". Então nadaram cuidadosamente em direção ao porto de Gibraltar, mergulhando sempre que uma lancha de patrulha se aproximava. Chegando na área de ancoragem, colocaram seus cimicis sob vários navios. Todos conseguiram retornar à costa espanhola, onde sete foram presos por carabineiros espanhóis, posteriormente liberados e repatriados para a Itália. Na madrugada, algumas das minas explodiram danificando quatro navios de carga britânicos: o Shuna, o Empire Snipe, o Baron Douglas e o Baron Kinnaird. Em 15 de setembro de 1942, três mergulhadores entraram nas águas perto de Puente Mayorga. Desta vez, sua tarefa era mais difícil. Cientes do perigo, embora não da sua origem, os britânicos passaram a ancorar seus navios cargueiros e da Marinha Real britânica o mais longe possível da embocadura, no porto. As patrulhas aliadas tornaram-se mais frequentes e os holofotes foram amplamente utilizados. Apesar disso, os mergulhadores de combate conseguiram colocar minas subaquáticas sob o navio a vapor Ravenspoint, atracado no porto comercial, a cerca de 1.400 metros do Molhe Norte. Três minas explodiram e o navio afundou. A essa altura, bastante preocupados, os aliados em Gibraltar estavam determinados a impedir os ataques de sabotagem subaquática, especialmente porque o número de navios de guerra e de carga estava aumentando antes dos desembarques da "Operação Tocha", que ocorreriam no início de novembro, na invasão aliada no Norte da África.

Em dezembro de 1942, o "Olterra", seus torpedos maiale e tripulações estavam prontos para seu primeiro ataque, que se revelou mais ambicioso do que poderiam ter imaginado. Em 6 de dezembro, após participar da "Operação Tocha", os navios da Força "H", incluindo o encouraçado HMS Nelson, o cruzador HMS Renown, os porta-aviões HMS Furious e HMS Formidable, juntamente com navios de apoio, entraram em Gibraltar. Na noite de 8 de dezembro, o tenente Licio Visintini e seus homens partiram do "Olterra" para atacá-los. O torpedo maiale, conduzido por Visintini e pelo suboficial Magro, foi atingido por uma das cargas de profundidade de uma das patrulhas do porto. Seus corpos foram recuperados posteriormente pelos britânicos, ainda com seus trajes de mergulhador de combate. O segundo torpedo, tripulado pelo segundo-tenente Cella e pelo sargento Leone, foi avistado na superfície por um holofote, mas conseguiu submergir e evitar os caçadores de submarinos que agora vasculhavam o ancoradouro freneticamente. Leone foi lançado ao mar e seu corpo nunca foi encontrado, mas Cella conseguiu retornar à base. O terceiro torpedo, tripulado pelo aspirante Manisco e pelo suboficial Varini, também foi avistado pelos holofotes e perseguido. Sem ar, eles afundaram sua embarcação e se refugiaram em um cargueiro americano, entregando-se posteriormente às tropas aliadas em Gibraltar. Quando interrogados, eles mantiveram que o ataque havia sido lançado do submarino italiano Ambra. Sem se deixarem intimidar, os italianos reabasteceram o "Olterra" com homens e torpedos. O tenente Notari assumiu o comando do grupo em substituição ao falecido tenente Visintini. Em 8 de maio de 1943, numa noite escura e tempestuosa, três torpedos partiram do "Olterra". Seus alvos eram cargueiros aliados ancorados o mais longe possível de Algeciras. O segundo-tenente Cella, o único a retornar do primeiro ataque, estava no comando de um deles. Desta vez, as equipes tiveram mais sorte. Elas minaram com sucesso três cargueiros: o navio americano Pat Harrison, que foi severamente danificado e dado como perda total; o cargueiro britânico Mahsud, que afundou com sua superestrutura ainda visível; e o cargueiro Camerata, que afundou completamente. Todas as três minas e suas tripulações retornaram em segurança à base. Um sucesso impressionante. A equipe do "Olterra" continuou a planejar e executar ataques contra a navegação aliada. Em junho de 1943, toda a equipe da Operação Ursa Major foi condecorada com a Medalha de Ouro por seus feitos, mas a guerra não estava indo bem para as Potências do Eixo. Porém o tenente Notari estava determinado a lutar até o fim. Na noite de 3 de agosto de 1943, sua equipe fez sua última incursão. Notari liderou três torpedos maiales e conseguiu chegar à ancoragem sem ser detectado. Ele desprendeu sua mina sob o navio Harrison Grey Otis. Enquanto seu tripulante, o suboficial Giannoli, trabalhava para fixar a mina, o submarino apresentou uma falha e mergulhou bruscamente. Em seguida, emergiu à superfície com Notari semiconsciente, sem seu companheiro e com sua embarcação danificada, decidiu se evadir em alta velocidade na superfície. Giannoli, entretanto, havia fixado a mina e subido no leme do navio. Após duas horas, ele pediu ajuda e foi resgatado. O cargueiro Otis foi declarado perda total. As outras duas tripulações também haviam concluído seu trabalho e o navio cargueiro norueguês Thorshovdi e o navio cargueiro britânico Stanridge foram afundados. Apenas um mês depois, em 3 de setembro de 1943, a Itália assinou o armistício, pondo fim à sua participação na guerra. Essas unidade de elite foi pioneira em técnicas modernas de mergulho de combate durante ataques a diversos objetivos em todo o Mediterrâneo.

Os mergulhadores de combate italianos da Segunda Guerra Mundial (notavelmente os da Decima Flottiglia MAS) utilizavam equipamentos especializados e pioneiros para sabotagem furtiva, incluindo respiradores de oxigênio de circuito fechado Pirelli ARO (Apparecchio Respiratore ad Ossigeno) especializado que não produzia bolhas, permitindo aproximações silenciosas e furtivas a navios inimigos. Inicialmente usavam os trajes secos Belloni, um pouco pesados, mas posteriormente foram substituídos por trajes secos de borracha fina e mais flexíveis para proteção contra a água fria. Portavam relógios e bússolas para navegação Radiomir Panerai grandes e altamente legíveis, que apresentavam tinta à base de rádio para iluminação em ambientes subaquáticos escuros. Seus artefatos explosivos incluíam as minas bauletti (pequenos recipientes de aproximadamente 12 kg) ou cimici, com ímãs para serem afixadas aos cascos dos navios. Seu transporte, como já informado, eram os Siluro Lenta Corsa (torpedos de baixa velocidade), apelidados de maiale, um submersível de 6,7 a 7,3 metros, para dois tripulantes e suas cargas.




 



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Apresentamos os protagonistas das principais guerras do século XX, com o relato de onde e como atuaram, seus uniformes, suas armas e seus atos de bravura e heroísmo em combate. Histórias fascinantes que levarão o visitante a participar como coadjuvante dos eventos em que elas ocorreram. Para conhecer detalhadamente cada um destes valorosos soldados de infantaria, fuzileiros navais, paraquedistas e comandos de forças especiais, basta clicar nas janelas acima, por especialidade ou pela ordem em que foram incluídos os artigos nesta seção.

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