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"Batalha de Tora Bora"

Como as forças especiais aliadas combateram os guerrilheiros talibãs em um complexo de cavernas no Afeganistão em 2001.

Tora Bora ("cavernas negras" no dialeto local) é um complexo de cavernas situado nas Montanhas Brancas no leste do Afeganistão, perto do Passo de Khyber. Em 2001, os Estados Unidos e seus aliados suspeitavam que o complexo estava sendo usado pela al-Qaeda e era a base de seu líder Osama bin Laden. Era descrito de forma variada como um complexo de cavernas de vários andares que aproveita a energia hidrelétrica de córregos da montanha e habitações simples capazes de abrigar mais de 1.000 pessoas. Dizia-se que havia um depósito para armas e munições, como os mísseis Stinger que sobraram da guerra contra os russos na década de 1980. Durante este conflito, em uma operação denominada "Cyclone", agentes da CIA ajudaram os guerreiros mujahideen a ampliar e reforçar estas cavernas para serem usadas pela resistência à invasão soviética do Afeganistão, de 1979 a 1984. Os americanos secretamente apoiavam seus esforços, e anos depois, o Talibã se estabeleceu e assumiu o controle do país. Desde a antiguidade, várias áreas de cavernas haviam sido usadas por guerreiros tribais que lutaram contra invasores estrangeiros, já que o terreno difícil formava uma posição defensiva natural. A batalha de Tora Bora foi uma ação militar que aconteceu de 12 a 17 de dezembro de 2001, durante os estágios iniciais da Guerra no Afeganistão lançados pelos Estados Unidos na sequência dos ataques de 11 de setembro. Eles acreditavam que Osama bin Laden, estava escondido naquele complexo. As forças americanas e aliadas monitoravam as posições do Talibã e da al-Qaeda e ouviram a voz de Bin Laden em transmissões de rádio interceptadas várias vezes, mas não conseguiram matá-lo ou capturá-lo. O terrorista escapou para as Áreas Tribais Federadas do Paquistão, onde permaneceu por quase uma década antes de ser localizado e morto pelos US Navy SEALs, em maio de 2011 na "Operação Lança de Netuno".

No final de 2001, combatentes da al-Qaeda ainda se encontravam nas montanhas da região de Tora Bora. O bombardeamento aéreo continuou, incluindo o uso de grandes bombas popularmente conhecidas como "daisy cutters" (cortadoras de margaridas), oficialmente designada BLU-82/B, de 6,8 toneladas, o maior artefato não-nuclear do arsenal americano. Em 3 de dezembro, um grupo de 20 membros do CIA National Clandestine Service (NCS), do 5º Grupo de Forças Especiais e aeronaves do 160th Special Operations Air Regiment, com o nome de código Jawbreaker, foram inseridos por helicóptero em Jalalabad, no Afeganistão, para iniciar uma operação contra os guerrilheiros. No dia 5, combatentes afegãos da Aliança do Norte, aliados dos Estados Unidos, assumiram o controle do terreno na parte baixa do complexo de cavernas. A equipe Jawbreaker e equipes de comandos equipadas com designadores a laser orientaram os bombardeiros da Força Aérea sobre seus alvos; ataques aéreos pesados sem parar, incluindo bombas guiadas a laser e mísseis, duraram 72 horas. Os combatentes da al-Qaeda retiraram-se para posições mais elevadas e se entrincheiraram para a batalha. Aproximadamente uma semana depois, 70 homens das forças especiais do Esquadrão A da Força Delta (US Army), do DevGru do US Navy SEALs e do Special Tactics Squadrons (STS) da US Air Force avançaram por terra, em veículos blindados, em complemento à campanha de bombardeio. Durante as horas de escuridão os guerrilheiros acendiam pequenas fogueiras para cozinhar e amenizar o frio, o que revelaria sua localização específica e ajudaria o designador a laser para as armas lançadas do ar. Os combatentes da Aliança do Norte continuaram um avanço constante através do terreno difícil, apoiados por ataques aéreos e pelas Forças Especiais americanas e britânicas.

Ante a derrota iminente, as forças da al-Qaeda negociaram uma trégua com um comandante local da milícia afegã para dar-lhes tempo para entregar suas armas. No entanto, alguns críticos acreditam que a trégua era um estratagema para permitir que figuras importantes da al-Qaeda, incluindo Osama bin Laden, escapassem. Em 12 de dezembro a luta recomeçou, possivelmente iniciada por homens na retaguarda ganhando tempo para a fuga da força principal através das Montanhas Brancas para as áreas tribais do Paquistão. As forças tribais apoiadas por tropas de operações especiais dos EUA e apoio aéreo pressionaram as posições fortificadas da al-Qaeda em cavernas e bunkers espalhados por toda a região montanhosa. Doze comandos britânicos do Special Boat Service (SBS) acompanharam as forças especiais americanas no ataque ao complexo de cavernas em Tora Bora, assim como operadores das Forças Especiais do KSK alemão, estes responsáveis por proteger os flancos nas montanhas e realizar missões de reconhecimento. O foco dos EUA sobre Tora Bora aumentou. As milícias tribais locais, pagas e organizadas pelas Forças Especiais e paramilitares da CIA Special Activities Division (SAD), com mais de 2.000 homens, mantinham o cerco por terra, enquanto os bombardeios pesados continuavam sobre supostas posições da al-Qaeda. As forças aliadas não encontraram bunkers maciços, mas pequenos postos avançados e alguns pequenos campos de treinamento. Até 17 de dezembro de 2001, a última caverna do complexo havia sido tomada e seus defensores tinham se rendido.

Do lado da coalizão não houve nenhuma baixa, mas calcula-se que em torno de 200 guerrilheiros tenham sido mortos e dezenas de outros feito prisioneiros. As forças americanas continuaram a vasculhar a área até janeiro de 2002, mas não encontraram sinais de Bin Laden ou da liderança da al-Qaeda. As autoridades dos EUA justificaram a continuação da detenção de várias dezenas de prisioneiros afegãos na Base de Guantánamo (Cuba) por suspeita de que haviam participado na batalha de Tora Bora, ou estiveram presentes durante os combates ou ainda que tivessem ajudado Osama bin Laden a escapar. Após os ataques a Tora Bora, as forças americanas, britânicas e seus aliados afegãos consolidaram suas posições no país. Os guerrilheiros do Talibã e da al-Qaeda não desistiram e se mantinham escondidos. Um Conselho reunindo as maiores facções afegãs, líderes tribais e ex-exilados, estabeleceu um governo interino em Cabul sob a liderança de Hamid Karzai. As tropas americanas estabeleceram sua base principal na Base Aérea de Bagram, ao norte da capital. Eles usaram o Aeroporto Internacional de Kandahar como uma base importante para receber e distribuir suprimentos e pessoal. Vários postos avançados foram estabelecidos nas províncias do leste para buscar fugitivos dos grupos rebeldes e o número de tropas dos EUA que operavam no país acabaria por crescer para mais de 10.000, à medida que os esforços contra o Talibã e a Al-Qaeda aumentavam.


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