.Confidencial



"Assalto do SAS sobre Pebble Island"

As ações de comandos do SAS britânico em uma pequena ilha das Malvinas em 1982.

Em 1982, durante a Guerra das Malvinas, as forças argentinas haviam estabelecido uma pista de pouso em Pebble Island, ilha situada ao norte da Gran Malvina ou Falkland Ocidental. Pequeno e improvisado, este aérodromo poderia significar uma ameaça aos navios da Força-Tarefa britânica que operavam ao largo da costa ou para os futuros desembarques de tropas inglesas em Falkland Oriental, servindo de base para aeronaves leves de ataque. Então, o SAS (Special Air Services) recebeu a missão de destruir todas as aeronaves inimigas em terra e inutilizar a pista. Tudo começou em 23 de abril de 1982, quando uma aeronave argentina aterrissou na pista de pouso perto do assentamento que era o lar de uma comunidade agrícola de 25 pessoas, supostamente para entregar malotes do Correio. Um dos ocupantes da aeronave examinou a área, caminhando um pouco ao longo da pista principal. Poucas horas depois, um helicóptero UH-1 desceu ali e desembarcou uma patrulha do Exército argentino que, em seguida, entrou no aldeia e exigiu que todos os transmissores de rádio de qualquer tipo fossem entregues. O líder dos soldados afirmou que as forças de ocupação enviariam uma patrulha a Pebble Island de vez em quando, mas caso contrário seriam completamente isoladas do mundo exterior, uma perspectiva preocupante para os ilhéus, pois não teriam comunicações em caso de emergência. Apenas no dia seguinte a declaração inicial sobre o futuro de Pebble Island se provou uma mentira. Uma aeronave de transporte bimotor Short Skyvan da Prefectura Naval Argentina, a Guarda Costeira argentina, aterrissou no pequeno aérodromo trazendo um grande grupo de pessoal de terra da Força Aérea Argentina. Isto foi seguido por um certo número de aeronaves leves de treinamento e ataque ao solo T-34C-1 Turbo Mentor, pertencentes à 4ª Esquadrilha de Ataque, que iniciou voos de patrulha quase que imediatamente. Durante a semana seguinte, equipamentos e provisões foram trazidas do continente até 30 de abril, quando as primeiras aeronaves de ataque bimotor Pucará, do Grupo 3 de Ataque chegaram à ilha. O aeródromo era agora o lar de cerca de 150 funcionários argentinos, e a população local estava praticamente confinada em suas casas por esses homens, exceto para viagens para comprar alimentos. O pessoal argentino estava muito nervoso por três motivos: a pista e os preparativos estavam inacabados, a guarnição esperada de 400 soldados não estava em posição e eles esperavam um ataque dos britânicos contra a que era agora a única grande posição argentina na Falkland Ocidental e suas ilhas.

Eles não tiveram que esperar por muito tempo. Na madrugada de 12 de maio, uma equipe de patrulha de oito homens do SAS Boat Troop D, do 22º Regimento SAS foi desembarcada por um helicóptero Sea King na ilha Keppel, ao sul da extremidade ocidental de Pebble. A aeronave pousou entre o monte Keppel e Cove Hill, com os tripulantes atentos à movimentação das forças argentinas em Pebble Island. Os oito homens haviam sido infiltrado para fazer o reconhecimento da região antes do assalto da equipe principal ao aérodromo. Carregavam caiaques, bem como todo o equipamento, e se deslocaram por terra até um ponto perto da pista abandonada no extremo oriental da ilha Keppel. Ali foi estabelecido um ponto de observação para monitorar o movimento das tropas argentinas em Pebble, particularmente na área em que pretendiam atravessar com seus caiaques. Permaneceram ali durante vinte e quatro horas de vigília, antes de prosseguirem sua viagem de canoa na noite de 13 de maio através do perigoso estreito de Keppel. A corrente e as marés neste trecho de água eram extremamente perigosas, mas a equipe tinha sido bem informada e evitado o pior das dificuldades. Imediatamente após o desembarque em Pebble Island, uma equipe de dois homens avançou quase metade do comprimento da ilha até o monte First, do qual podia se ter uma vista privilegiada da pista de pouso e da aldeia. Um ponto de observação foi montado e uma vigilância detalhada teve início, localizando os depósitos de munição e de combustível, bem como um importante equipamento de radar, que poderia detectar qualquer tentativa de uma aproximação furtiva da Força-Tarefa Britânica. Este era realmente o objetivo principal do ataque, já que o radar e as aeronaves Pucarás representavam uma séria ameaça e tinham que ser eliminados por se encontrarem próximos às rotas de aproximação dos navios de transporte da Royal Navy até as áreas de desembarque pretendidas.

O vento tinha aumentado durante o dia em 14 de maio e como o planejamento previa que a força principal para atacar o aeródromo seria desembarcada por helicópteros havia uma preocupação geral sobre a habilidade dos Sea King para operarem a longa distância. A Força-Tarefa que apoiaria o ataque era formada pelo porta-aviões HMS Hermes, o destróier HMS Glamorgan e a fragata HMS Broadsword. Os três navios de guerra aproximaram-se de Pebble Island do norte quando a escuridão caiu na noite de 14 de maio, mas o sistema de mísseis Sea Wolf da fragata, a única defesa aérea de longo alcance para o grupo, apresentou defeito. A HMS Broadsword ficou mais para trás da linha de avanço, sob condições de tempo terríveis enquanto sua tripulação tentava consertar aquele sistema vital. O HMS Glamorgan lentamente se posicionou a apenas sete milhas da costa de Pebble para fornecer apoio naval de artilharia e o incrivelmente valioso mas também muito vulnerável HMS Hermes ficou a menos de quarenta milhas da costa, muito mais perto do que o planejado, para dar aos helicópteros Sea King do 846º Squadron uma chance vencer os fortes ventos. Considerando que Pebble Island estava muito mais perto do continente argentino do que qualquer incursão anterior a partir de porta-aviões, este era um risco calculado e uma manobra muito corajosa. A equipe SAS em terra informou pelo rádio que todos os alvos haviam sido identificados e que onze aviões estavam estacionados no aeródromo, recomendando que o ataque ocorresse naquela noite. Eles demarcaram as zonas de desembarque para os helicópteros que iriam transportar os 48 comandos do Esquadrão D, do 22º Regimento SAS e um especialista em tiro naval para orientar o fogo dos canhões do destróier. Tudo estava pronto. O observador avançado para apoio de tiro naval (Naval Gunfire Support Forward Observer - NGSFO) era ninguém menos que o capitão Chris Brown, do 148 Battery of 29 Commando Regiment of Royal Artillery, o mesmo oficial que já tinha realizado pequenas façanhas, se destacando na recaptura da ilha Geórgia do Sul. Ele orientaria o fogo dos canhões de 4,5 polegadas do HMS Glamorgan em apoio direto ao ataque do SAS.

Na noite de 14 para 15 de maio, os Sea King HC4 decolaram do HMS Hermes, com os pilotos equipados com óculos de visão noturna. As aeronaves pousaram a cerca de 6 km do objetivo e logo após desembarcar a equipe do SAS se dividiu em um grupo de assalto e um grupo de apoio para dar cobertura de fogo. O assalto tinha sido atrasado pelas más condições do tempo e os comandos tiveram que fazer uma longa marcha com seu equipamento completo, além dos pesados morteiros de 81 mm com 100 cargas para eles, armas anti-tanque LAW de 66 mm e cargas de explosivo. Como conseqüência, o plano original de entrar em contato com os colonos antes do ataque tinha que ser abandonado porque não havia tempo. A base dos morteiros foi montada e as metralhadoras de uso geral foram dispostas de forma a cobrir os arredores da aldeia e os alojamentos onde se sabia que a maioria das forças argentinas estava se abrigando do mal tempo. No início da manhã do dia 15 de maio, o HMS Glamorgan começou a disparar seus cartuchos de 4,5 polegadas a uma velocidade de um por minuto sob a orientação do capitão Brown. As equipes de metralhadoras abriram fogo e mantiveram as tropas argentinas presas na área do alojamento, enquanto seus colegas foram assaltar o aeródromo. Usando explosivos plásticos com fusíveis curtos, as equipes SAS lideradas pelo capitão John Hamilton destruíram todos os onze aviões: seis Pucarás, quatro Turbo Mentors e o Short Skyvan, bem como a instalação de radar, tambores de combustível e os depósitos de munições. Todas as aeronaves foram destruídas com a mesma intensidade e extensão de danos para impedir que os argentinos consertassem algumas delas canibalizando peças dos destroços das restantes. Com o sucesso retumbante do ataque, as equipes começaram a se retirar às 7:45h da manhã. A essa altura, os argentinos mesmo pegos completamente de surpresa ainda conseguiram organizar uma resposta e começou um intenso tiroteio. O oficial que reagrupava as tropas argentinas foi identificado e prontamente neutralizado e o contra-ataque diminuiu quase imediatamente. A retirada continuou quase sem oposição, exceto pela detonação de uma mina remotamente controlada que foi lançada tarde demais para ter qualquer efeito real, mas conseguiu ferir levemente dois dos comandos SAS. A força de ataque inteira embarcou em seus helicópteros sem perda e retornou ao porta-aviões HMS Hermes, tendo inutilizado a pista do aérodromo, as aeronaves ali estacionadas e o radar, eliminando assim qualquer ameaça que eles pudessem representar aos desembarques que alguns dias depois aconteceriam naquele pequeno arquipélago do Atlântico Sul.

 


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