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"Ataques dos torpedos humanos"

As arriscadas missões dos mergulhadores de combate italianos durante a Segunda Guerra.

Mergulhadores de combate da Decima MAS italiana em ação A Decima Flottiglia Motoscafi Armati Siluranti ("Décima Flotilha Armada de Barcos Torpedeiros", também conhecida como La Decima ou Decima MAS) era uma unidade de mergulhadores de combate da Marinha Real Italiana (Regia Marina) criada durante o regime fascista. O acrônimo MAS também se referia a barcos torpedeiros leves usados durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundiais. A unidade esteve ativa durante a Batalha do Mediterrâneo e participou de uma série de incursões ousadas contra os navios de transportes Aliados. Essas operações envolveram lanchas rápidas (como o naufrágio do HMS York), torpedos tripulados (o ataque ao porto de Alexandria) e o Gamma Frogmen (contra Gibraltar). Durante a campanha, a Decima MAS participou de mais de uma dúzia de missões que afundaram ou danificaram cinco navios de guerra e 20 navios mercantes. Sua origem remonta à Primeira Guerra Mundial, quando em 1º de novembro de 1918, Raffaele Paolucci e Raffaele Rossetti, da Regia Marina, montaram um torpedo tripulado (apelidado de mignatta ou "sanguessuga") no porto de Pula, onde afundaram o navio de guerra SMS Viribus Unitis e o cargueiro Wien, este com uma mina de contato, ambos da então Yugoslávia. Eles não tinham equipamentos de mergulho e, portanto, tinham que manter a cabeça acima da água para respirar. Depois do ataque foram descobertos e feitos prisioneiros enquanto tentavam deixar o porto. Nas décadas de 20 e 30, a caça esportiva sem equipamento se tornou popular na costa mediterrânea e isso estimulou o desenvolvimento de nadadeiras modernas, máscaras de mergulho, snorkels e anos depois começaram a usar os cilindros de oxigênio, iniciando o mergulho com equipamento na Itália. Esse novo tipo de mergulho chamou a atenção da Marinha, que criou a primeira unidade submarina de forças especiais, copiada depois pela Marinha Real britânica e pela Marinha dos Estados Unidos. O capitão-de-fragata Paolo Aloisi foi o primeiro comandante da 1ª Flottiglia Mezzi d'Assalto ("Primeira Flotilha de Veículos de Assalto"), formada em 1939 como resultado dos esforços de pesquisa e desenvolvimento dos engenheiros de combate naval Teseo Tesei e Elios Toschi, baseados no conceito de torpedos tripulados de Paolucci e Rossetti na Primeira Guerra. Em 1941, o comandante Vittorio Moccagatta reorganizou a Primeira Flotilha e passou a ser designada como Decima Flottiglia MAS e dividiu a unidade em duas partes: um grupo de superfície que operava barcos rápidos a motor e um grupo de armas submarinas usando torpedos tripulados chamados SLC (Siluri a Lenta Corsa ou "torpedos de marcha lenta", mas apelidados de maiale ou porco por suas equipes), bem como nadadores de ataque "Gamma" usando minas de contato. Moccagatta também criou a escola de treinamento de mergulhadores na base de San Leopoldo da Academia Naval Italiana em Livorno. A Decima MAS entrou em ação no dia 10 de junho de 1940, quando a Itália fascista entrou na Segunda Guerra. Nos três anos seguintes a unidade destruiu cerca de 72.000 toneladas de navios de combate Aliados e mais 130.000 toneladas de navios mercantes. Seus comandos afundaram os navios da Marinha Real britânica HMS Valiant e HMS Queen Elizabeth, destruíram o cruzador pesado HMS York e o destróier HMS Eridge, danificou o destróier HMS Jervis e afundou ou danificou 20 navios mercantes, incluindo navios de abastecimento e navios-tanque.

Mergulhadores de combate da Decima MAS italiana em ação Suas ações se estenderam por todo o Mediterrâneo, costa da África e região da Criméia, sendo que uma de suas mais espetaculares missões foi o ataque ao porto de Alexandria no Egito, em 19 de dezembro de 1941. Em 3 de dezembro, o submarino Scirè da Marinha Real Italiana, sob o comando do tenente Junio Borghese, deixou a base naval de La Spezia carregando três torpedos tripulados, apelidados de maiale (porcos) pelos italianos. Na ilha de Leros, no Mar Egeu, o submarino pegou secretamente seis tripulantes para eles: Luigi Durand de la Penne e Emilio Bianchi (maiale nº 221), Vincenzo Martellotta e Mario Marino (maiale nº 222) e Antonio Marceglia e Spartaco Schergat (maiale nº 223). Em 19 de dezembro, o Scirè - a uma profundidade de 15 m - liberou os torpedos tripulados a uma distância de 1,1 km do porto de Alexandria e entrando na base naval quando os britânicos abriram suas defesas para deixar passar três de seus destroieres. De la Penne e seu colega de equipe Emilio Bianchi tiveram muitas dificuldades. Primeiro, o motor do torpedo parou e os dois mergulhadores tiveram que empurrá-lo manualmente; então Bianchi teve que emergir devido a problemas com o seu cilindro de oxigênio, de modo que De la Penne teve que empurrar o maiale sozinho para onde estava o HMS Valiant. Lá, ele colocou com sucesso a mina de contato, logo abaixo da linha d'água. No entanto, como ambos tiveram que emergir e Bianchi foi ferido, foram descobertos e capturados. Interrogados pelos britânicos, os dois ficaram em silêncio e foram confinados em um compartimento a bordo do próprio Valiant, coincidentemente logo acima do local onde a mina fora colocada. Quinze minutos antes da explosão, De La Penne pediu para se encontrar com o capitão de Valiant, Charles Morgan, e depois lhe contou sobre a explosão iminente, mas se recusou a fornecer mais informações. Quando a mina finalmente explodiu logo abaixo deles, nenhum dos dois ficou gravemente ferido, tendo apenas algumas escoriações. Enquanto isso, Marceglia e Schergat haviam anexado seu dispositivo a um metro e meio da quilha do navio de guerra HMS Queen Elizabeth, conforme programado. Eles deixaram a área do porto às 4:30 da manhã, se passando por marinheiros franceses. Eles foram capturados dois dias depois em Rosetta pela polícia egípcia enquanto aguardavam o resgate pelo submarino Scirè e entregues aos britânicos. Martellotta e Marino procuraram em vão por um porta-aviões teoricamente atracado no porto, mas depois de algum tempo eles decidiram atacar um grande navio-tanque, de 7.500 toneladas de registro norueguês. Marino colocou a mina sob a popa do navio às 02:55. Ambos os mergulhadores conseguiram chegar à costa sem serem molestados, mas foram presos no posto de controle da polícia egípcia. No final, todos os mergulhadores foram feitos prisioneiros, embora tenham conseguido danificar severamente quatro navios capitais da Marinha Real britânica, deixando-os fora de combate por quase um ano. Durante o curso da guerra, a Decima MAS recebeu a "Medalha de Ouro da Bravura Militar" e seus membros individualmente receberam um total de 166 condecorações.


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