Guerra das Malvinas


Período
1982
Área do conflito
Atlântico Sul
Protagonistas principais
Grã-Bretanha e Argentina
Histórico

Para tentar manter-se no poder e assegurar um mínimo de popularidade, a junta militar que governava a Argentina decidiu executar o Plano Goa, a invasão das ilhas Malvinas ou Falklands para os ingleses, que a habitavam desde 1833, com o objetivo de retomá-las. Imaginaram ter o apoio dos Estados Unidos (que na realidade colaboraram com os britãnicos) e que a Grã-Bretanha não reagiria militarmente. Assim às 4:30 do dia 2 de abril de 1982, 150 homens do Tático Buzo, uma unidade de elite dos fuzileiros argentinos, desembarcou na capital Port Stanley para prender o governador, mas encontraram forte resistência do destacamento de 68 fuzileiros britânicos que defendia a área em torno da sede do governo. Os ingleses lutaram com bravura, mas após duas horas de combate, bastante inferiorizados, renderam-se. Neste momento já haviam 2.800 soldados argentinos em terra firme. A notícia do ataque às ilhas causou indignação na Grã-Bretanha e reação do governo foi imediata, ordenando a criação de uma força-tarefa para recuperá-las, a mais de 12.000 km ao sul. Já no dia 25 de abril um grupo de assalto com homens do SAS e SBS, apoiados por navios da Royal Navy que haviam danificado seriamente o submarino argentino "Santa Fé" operando na região, retomou as ilhas Geórgia do Sul. Em 2 de maio o submarino inglês "Conqueror" disparou alguns torpedos Mk.8 contra o cruzador "General Belgrano" e dois deles o atingiram, fazendo com que adernasse, afundando uma hora depois matando 368 tripulantes. Este fato mostrou o poderio da frota inglesa e a Marinha argentina retirou suas principais unidades de superfície da região, retornando às suas bases onde permaneceriam até o fim da guerra. Porém o afundamento do destróier HMS "Sheffield" por mísseis Exocet lançados por aviões Super Etendard, mostrou que os argentinos eram capazes de devolver golpes recebidos. Agora a Argentina mantinha nas ilhas um contingente de 10.000 soldados e um campo de pouso na capital. Homens do SAS desembarcados de helicópteros perto do aeroporto, usando cargas explosivas destruíram seis aviões Pucará, quatro Turbo-Mentor e um Skyvan argentinos estacionados ali e retornaram a salvo, sem uma baixa sequer. Essas tropas especiais foram usadas ainda para operações psicológicas, infiltração atrás das linhas inimigas para observar sua disposição, localização e marcação de zonas de desembarque, ações de sabotagem e incursões no continente, para confundir o adversário. Depois da guerra um jornal inglês afirmou que a Grã-Bretanha usou uma base secreta no Chile, a partir da qual os comandos poderiam atacar bases argentinas como Rio Gallegos e Rio Grande ou outros alvos estratégicos no território continental. Em 7 de maio, a Royal Navy estabeleceu uma Zona de Exclusão Total ampliada para até 20 km da costa argentina, dentro da qual qualquer navio que trafegasse sem autorização seria atacado e destruído. Nesta fase vários navios-patrulha argentinos e outros que tentaram furar o bloqueio foram impiedosamente atingidos ou aprisionados. Os poucos aviões ingleses Sea Harrier atuavam somente em defesa da frota ou em PAC (Patrulhas Aéreas de Combate), enquanto os Skyhawk, Dagger, Mirage III e Super Etendard argentinos eram obrigados a operar a partir de bases na Argentina, no limite de seu alcance. Mesmo assim causaram danos em diversas unidades de superfície inglesas. Ao amanhecer do dia 21 foi desencadeada a Operação Sutton, com o desembarque dos Royal Marines na Baía de San Carlos, a 105 km de Port Stanley. Nas horas seguintes cerca de 4.000 homens e 1.000 toneladas de equipamentos já estavam na cabeça-de-praia. A reação argentina veio pelo ar com ataques aos navios que apoiavam o desembarque, causando danos em vários deles e afundando as fragatas HMS "Ardent" e "Antelope", mas com a perda de cinco caças Skyhawk e quatro Dagger. O avanço das tropas inglesas sobre a ilha foi rápido. Em 29 de maio os paraquedistas do 2° Batalhão do Regimento Real, capturaram Groose Green, fazendo mais de 1.000 prisioneiros. A seguir caiu Port Darwin, após forte resistência de soldados argentinos entrincheirados. Foram os primeiros confrontos reais das tropas terrestres, que enfrentaram e venceram forças quatro vezes superiores em número. Em 9 de junho as tropas argentinas nas Malvinas estavam confinadas em torno da capital Port Stanley e os ingleses pretendiam atacá-las em uma frente bastante ampla, com a conquista dos montes ao seu redor para sitiá-las. Conseguiram seu objetivo, porém os argentinos lhes cobraram um preço alto, resistindo ferozmente. Diversos soldados britânicos foram condecorados postumamente por seus atos de bravura nestes combates. A tomada da capital se tornou uma questão de tempo, já que não havia mais vontade de lutar por parte dos jovens recrutas argentinos. Em 14 de junho as tropas inglesas entraram nas ruas de Port Stanley, mas não haveria reação. Pouco depois representantes dos dois lados encontraram-se para discutir os termos da rendição.

Principais forças envolvidas

Grã-Bretanha:

Marinha: 111 navios (42 da Royal Navy, 24 da Esquadra auxiliar e 45 mercantes requisitados); 3a. Brig. Comandos dos Royal Marines ( 40°, 42° e 45° batalhões, 29° Reg. Artilharia e outras); Exército: 3° Batalhão de paraquedistas; 5a.Brig.Inf.; tanques leves Scorpion e Scimitar; Aviação Naval: helicópteros Lynx Mk2 e Sea King Mk5; caças Sea Harrier.

Perdas: 255 mortos e 777 feridos; 10 aviões e 24 helicópteros destruídos; 2 destroiéres, 2 fragatas e 2 navios auxiliares afundados; 3 destroiéres, 3 fragatas e 2 navios auxiliares avariados.

Argentina:

Guarnição Militar das Malvinas: 10.000 homens (25º Reg.Inf., 8°eg.Inf., 9a.Cia.Eng., 2° Batalhão Inf.Marinha, 10a.Brig.Inf.Mec., entre outras); veículos blindados Panhard; aviões Pucará e C-130 Hércules; helicópteros Bell UH-1H e Puma; caças A-4 Skyhawk, IAI Dagger, Mirage III e Super Etendard (operando a partir do continente).

Perdas: 1.000 mortos e n° não divulgado de feridos; 76 aeronaves e 26 helicópteros destruídos; 1 cruzador, 1 submarino, 1 barco patrulha e 3 navios auxiliares afundados; 2 barcos-patrulha avariados.

Principais batalhas

Batalhas pela retomada das cidades de Goose Green, Port Darwin e Port Stanley. Desembarque na Baía de San Carlos. Conquista dos montes Longdon, Harriet e William ao redor da capital.

Resultado final

A derrota pela posse das Ilhas Malvinas/Falklands desgastou ainda mais o regime militar que governava a Argentina há dez anos e em 17 de junho o general Leopoldo Galtieri foi obrigado a renunciar. No ano seguinte foram realizadas eleições, com a participação de 80% do eleitorado, tornando-se presidente o advogado Raúl Alfonsin, que implantou uma reforma nas Forças Armadas e levou aos tribunais os oficiais culpados pela frustrada aventura nas Malvinas.

Custo total estimado: US$ 5 bilhões

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