.Tropas de Elite


Grupamento de Intervenção Especial (GIS) - Argélia

O GIS, Grupamento de Intervenção Especial (Groupement d'Intervention Spécial, em francês, ou GIS), mais conhecido pelo apelido de "Ninjas", é uma unidade de intervenção das forças especiais da Argélia pertencente ao Departamento de Inteligência e Segurança (DRS). Especializou-se na luta contra o terrorismo, particularmente em ações contra a guerrilha e na busca de terroristas em áreas hostis e de difícil acesso, na libertação de reféns, na proteção de autoridades e em vários outros tipos de missões especiais. Tendo seu próprio orçamento e recebendo treinamento local e no exterior, o grupo emprega táticas e meios de ação específicos, implementados por pessoal treinado e altamente qualificado. Unidade caracterizada por sua grande discrição, constitui a força de comandos dos serviços argelinos de Inteligência. No entanto, é considerado como a elite das forças especiais argelinas e uma das melhores da África e da região do Mediterrâneo. Em 2013, o grupo ficou conhecido por ter participado da libertação de cerca de 800 reféns de várias nacionalidades, durante a retomada de uma refinaria na localidade de In Amenas, que havia sido atacada por terroristas dissidentes da Al-Qaida. Criado em 1987, sob as ordens do general Lekhel Ayat, então diretor do DRS, inicialmente contava com 300 membros recrutados das várias forças de segurança. A maioria deles foi selecionada a partir dos comandos paraquedistas que na época eram a tropa de choque de elite do Exército argelino. Em seus primórdios, o GIS já estava preparado para combater possíveis ações terroristas, mas sua missão era apenas a proteção e a segurança presidencial, bem como a proteção de ministros e oficiais de alta patente. Após o cancelamento das eleições legislativas de 1991, vencidas pelos islamitas da Frente de Salvação Islâmica, a situação de segurança deteriorou-se gradualmente e a Argélia enfrentou as primeiras insurreições e ataques terroristas.

Milhares de islamitas pegaram em armas, atacando os militares e a polícia, e em seguida fazendo vítimas entre a população civil. Os efetivos do Exército, treinados principalmente para as guerras convencionais estavam sobrecarregados e desorientados diante desse novo tipo de conflito. As emboscadas e a tomada de reféns aumentaram, causando grandes perdas de soldados, em sua maioria inexperientes. Diante dessa situação totalmente nova, era mais que óbvio a necessidade de se ter unidades para conduzir operações especiais anti-guerrilha e antiterrorismo. A polícia argelina e a Gendarmerie Nationale criaram suas próprias unidades de intervenção e o Exército estabelece uma vasta campanha de formação e aperfeiçoamento de seus regimentos de comandos paraquedistas. O GIS, sendo a unidade mais bem formada muito antes do início dos conflitos, teve seu primeiro batismo de fogo no início da insurreição, alcançando bons resultados operacionais e comprovou sua eficiência em combate contra os grupos armados islâmicos AIS, GIA e GSPC. Em 29 de junho de 1992, o presidente Mohamed Boudiaf foi assassinado por Lambarek Boumaarafi, que era membro da Guarda Presidencial. Como resultado deste acontecimento, o GIS deixou de exercer suas atividades de proteção presidencial, concentrando-se totalmente na luta contra o terrorismo. No entanto, o GIS sofreu com a falta de equipamentos adequados para realizar este tipo de operação. Um embargo militar contra a Argélia foi imposto no início dos anos 90 por países ocidentais, alegando que a situação no país era muito mais uma guerra civil do que uma luta contra o terrorismo. No entanto, após os ataques de 11 de setembro de 2001, o mundo ficou ciente da magnitude da situação e os fornecedores ocidentais foram autorizados a vender equipamentos para a Argélia em nome da guerra contra o terrorismo internacional.

A organização do GIS ainda é uma informação classificada, e o organograma exato de sua composição e funcionamento é quase desconhecido do público em geral. De acordo com a rara informação disponível ela é subdividida em várias unidades, cada uma com sua própria função. Dependendo da natureza da missão, eles podem trabalhar em conjunto ou operar separadamente.No entanto, é possível classificar estas unidades como: Unidades de Intervenção: grupos de assalto, grupos de apoio e atiradores de precisão (sniper); Unidades de Apoio Operacional: reconhecimento, observação, escuta e interferência de comunicações; Unidades de Mergulhadores de Combate: assalto anfíbio, sabotagem, reconhecimento e resgate; Unidades de Proteção e Escolta: proteção, segurança e escolta; Unidades de Desminagem: desminagem, manipulação de expolsivos e assistência técnica; Unidades de Cães de Guerra: grupos de apoio, assistência veterinária, escolha dos cães e seu subseqüente treinamento. As principais missões do GIS são: contraterrorismo e libertação de reféns, guerra anti-guerrilheira, neutralização de elementos hostis ou criminosos perigosos, proteção e escolta de altas personalidades e operações especiais clandestinas. Os membros da unidade passam por um treinamento muito avançado composto de vários ciclos em diferentes campos (assalto, snipers, aeronaves, explosivos) na Escola de Aplicação de Forças Especiais (EATS) na Argélia, para não mencionar os exercícios conjuntos com os comandos russos da Spetsnaz. Seus homens são apresentados à arte de luta japonesa Ju-Jitsu e arte de luta coreana Kuk Sool Won, mas em um aspecto puramente militar. Com sua amplitude de treinamento e experiência em ação, o GIS tornou-se uma das unidades mais experientes do mundo e reconhecida no combate ao terrorismo, a ponto de ter sido recomendado pelo United States Special Operations Command (USSOCOM) para ajudar na formação de vários grupos de elite do continente africano.

O Grupamento tem acesso a todo um arsenal de armas escolhidas de acordo com as necessidades e a natureza da missão. Em termos de armamento individual estão à disposição das equipes fuzis de assalto AKMS, HK G36 e M-16A2, submetralhadoras HK MP-5 em várias versões, pistolas semi-automáticas Glock 17, Makarov PM e Browning GP, metralhadoras PKM e RPK-74, fuzis sniper Barrett M82, SVD e M40A3, além de lança-rojões RPG-7. Os uniformes variam de acordo com a missão, podendo ser todo negro para operações em áreas urbanas, no padrão do Exército com camuflagem DPM, de combate com camuflagem Lizard ou Woodland, e específicos para regiões desérticas ou de montanha. Entre suas principais operações podemos citar a retomada da aldeia de Ouled Allal em setembro de 1997 quando membros do GIS, apoiados por tropas paraquedistas, lutaram de casa em casa após desativarem diversas minas e bombas, matando mais de quarenta terroristas; a libertação de reféns no deserto do Saara argelino, quando turistas foram sequestrados por uma organização ligada à Al-Qaida. Na ação 9 sequestradores foram mortos e os mais de 30 reféns libertados; a já mencionada operação em In Amenas, próxima a fronteira com a Líbia, quando 30 terroristas tomaram uma refinaria, fazendo mais de 800 reféns entre eles 130 estrangeiros. As forças especiais invadiram o local matando 27 terroristas e prendendo os outros três, mas infelizmente também perderam suas vidas 37 reféns; a neutralização do emir Bourihan Rabah em 19 de julho de 2013, na região de Bouira, quando seu carro foi emboscado próximo a um quebra-molas e os comandos abriram fogo, matando o emir e seus três seguranças; evacuação do embaixador argelino na Líbia, em 16 de maio de 2014, onde homens do GIS evitaram que fosse sequestrado por um grupo armado, levando-o em segurança até o aeroporto de Tripoli de onde embarcou para Argel; e a operação especial na Líbia, na qual os comandos se infiltraram em território líbio em 24 de outubro de 2013 para neutralizar os combatentes jihadistas da AQIM.




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