.Tropas de Elite


1ª Brigada de Forças Especiais - Peru

No ano de 1965, o governo peruano emitiu um decreto criando o Destacamento de Forças Especiais do Exército, localizando-se seu quartel-general na antiga Escola de los Cabitos, hoje ocupada pela Escola de Comunicações. Era constituído então pelo Batalhão de Paraquedistas Nº 39, Batalhão de Comandos Nº 19, uma Companhia de Serviços e uma Companhia de Comando. Em junho do mesmo ano teve seu batismo de fogo, ao ser enviado para combater os guerrilheiros "Pachacutec" que operavam na região de Sierra Central, ações estas que se prolongaram até janeiro de 1966. As bases guerrilheiras foram completamente destruídas, com isto demonstrando-se a real capacidade do soldado paraquedista na luta anti-guerrilha. Nos anos seguintes, para fazer frente a novas ameaças no front interno, a unidade foi sendo ampliada, aprimorando seus métodos de treinamento e prontificando-se a atuar nos mais diversos ambientes e terrenos. Em 2003 recebeu sua atual denominação, 1ª Brigada de Forças Especiais, estando assim organizada:

Quartel-General; Escola de Paraquedistas; Batalhão de Comandos Nº 19; Batalhão de Comandos Nº 39; Batalhão de Comandos Nº 40; Batalhão de Comandos Nº 61; Batalhão de Serviços das Forças Especiais Nº 61; Esquadrão de Reconhecimento de Forças Especiais Nº 61; Companhia de Comando Nº 61; Companhia de Comunicações Nº 61; Companhia de Polícia Militar Nº 61; Companhia Especial Contra-Terrorista Nº 61; e Escola de Franco Atiradores do Exército. Seu treinamento está entre os mais exigentes para este tipo de missão, exigindo um bom condicionamento físico e mental para que os voluntários possam concluir o curso com êxito. Para oficiais, as matrículas geralmente estão abertas para membros com patentes que vão de segundo-tenente a capitão, ao passo que para não-oficiais, os admitidos variam de terceiro a primeiro sargentos. Desde a sua criação, há mais de 50 anos, a Escola de Comandos tem treinado não apenas os melhores soldados do Peru, mas também de outros países, incluindo Argentina, Brasil, Colômbia e México, mantendo os princípios fundamentais aprendidos na Ranger School dos EUA, mas eles foram adaptados pelo Exército peruano para melhor atender às suas necessidades. Cursos táticos, como os de combate ao terrorismo, tornaram-se essenciais com a ascensão do Sendero Luminoso e do Túpac Amaru na década de 1980. O curso tem duração de seis meses e está dividido em três fases: básica, técnica e prática.

Na fase básica, além do treinamento físico diário, os cadetes aprendem os fundamentos de primeiros socorros, comunicação e direitos humanos. um aspecto muito enfatizado pela escola. A parte técnica testa a resistência física dos cadetes, com provas de sobrevivência na água, alpinismo, corrida de obstáculos, patrulhamento e marchas com mochilas. O não cumprimento de qualquer parte desta fase fará com que o soldado seja excluído do curso. Durante a fase final do curso, os cadetes colocam em prática, com a geografia diversificada do Peru, tudo que aprenderam. Por exemplo, a fase de alpinismo é conduzida na altitude da região de Huaraz, localizada 3.052 metros acima do nível do mar, a cerca de 420 quilômetros ao norte de Lima. Ao completar este estudo, os alunos passam para a fase da mata, que normalmente ocorre na região do Vale dos Rios Apurímac e Ene, o celeiro das atividades do Sendero Luminoso atualmente. Quando um cadete é bem sucedido e completa o programa da Escola de Comandos, recebe formação complementar especializada em áreas como treinamento de tiros de precisão/atirador de elite, alpinismo, busca e salvamento, ou ainda operações subaquáticas.

Completar todo o curso e fazer parte da irmandade dos comandos é uma questão de honra para esses soldados de elite. O lema deles pode ser traduzido como “ser e não parecer”, uma referência para que não apenas se vangloriem de suas ações, mas cumpram a missão e façam tudo como verdadeiros soldados dos comandos. Além dos equipamentos básicos comuns às tropas de elite, os homens da 1º Brigada têm à disposição fuzis de assalto IMI Tavor, FN SCAR-L e Colt Commando M4A1, pistolas automáticas Glock 17 e Browning BDA, submetralhadoras H&K MP-5 e FN P90, fuzis para snipers Barret M82 e Accuracy International. Sua ação mais conhecida foi a libertação dos reféns de guerrilheiros do Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA) que em 17 de dezembro de 1996 ocuparam a Embaixada do Japão em Lima. Por um período de quatro meses, 140 comandos foram treinados, preparados e instruídos para aquela que viria a ser a operação de resgate de maior sucesso na história do Peru. A "Operação Chavín de Huántar" foi desencadeada em 22 de abril de 1997, quando os comandos invadiram a embaixada e libertaram todos os reféns.

 



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