Tropas de Elite


Brigada de Para-Comandos - Bangladesh



Bangladesh, oficialmente a República Popular de Bangladesh, está localizado no sul da Ásia e é o oitavo país mais populoso do mundo, com mais de 164 milhões de habitantes. Em termos de massa de terra, ocupa a 92ª posição, abrangendo 148.460 km², tornando-o um dos países mais densamente povoados do planeta. Bangladesh compartilha fronteiras terrestres com a Índia a oeste, norte e leste, Mianmar a sudeste e a Baía de Bengala a sul. É separada do Nepal e do Butão por uma estreita faixa de terra, o Corredor Siliguri, e da China por Sikkim, no norte, respectivamente. Dhaka, a capital e maior cidade, é o centro econômico, político e cultural do país. Apesar das boas relações diplomáticas com seus vizinhos, há uma tensão permanente na região, principalmente entre a Índia e o Paquistão, país este do qual se separou. A Brigada de Para-Comandos é uma força de operações especiais independente do Exército de Bangladesh, está sediada em Sylhet e é composta por dois batalhões. O envolvimento de unidades de operações especiais nas Forças Armadas foi iniciado pela Guerra de Libertação de Bangladesh em 1971. Desde então, unidades de comandos existem sob vários nomes, principalmente as especializadas em guerra na selva e de contra-insurgência, porém em 1992 uma unidade separada foi oficialmente formada como o 1º Batalhão de Para-Comandos, duas décadas depois transformada em brigada. As unidades de comandos de Bangladesh têm uma grande história de glória, tradição, honra e orgulho. Embora o termo "para-comando" tenha surgido depois, suas atividades foram iniciadas há muito tempo e os "Soldados de Elite de Bengala Subah" (1576-1757) são um grande exemplo disso. Mais tarde no período colonial, os membros da "Infantaria dos Nativos de Bengala" também fizeram parte desta grande história. Havia mais de 70 batalhões de infantaria de Bengala durante o período britânico na região. Com o início da Segunda Guerra, muitos dos bengalis juntaram-se ao Exército britânico para participar do conflito. Entre elas, duas Companhias de Infantaria foram especialmente treinadas e formadas para liderar no campo de batalha e enviadas para enfrentar os japoneses nas selvas da Birmânia, junto com "Chindits" e os Rangers do Exército americano. Em 1976, foi criada a "Special Warfare Wing" uma instituição de ensino do Exército, voltada para o treinamento de forças especiais, com cursos de "Comandos", "Sniper", "Paraquedismo militar", "Contra-terrorismo", "Para-Comando avançado". De acordo com as publicações oficiais, os para-comandos devem estar capacitados para assalto aerotransportado, assalto aéreo, ação direta, reconhecimento, guerra na selva, guerra urbana, contra-insurgência, contra-terrorismo, operações secretas, resgate de reféns, objetivos de alto valor, coleta de inteligência, e guerra convencional e não convencional. Para o treinamento de para-comandos, os membros ativos das Forças Armadas de Bangladesh e estudantes militares estrangeiros de países amigos podem se inscrever no Curso de Comandos, mas historicamente, a maioria dos candidatos vem do Exército. As seleções são realizadas duas vezes por ano, uma no verão e outra no inverno. O candidato que comparecer ao teste de seleção deve ser, além das qualificações acima citadas, voluntário para o treinamento especial de guerra, sem limitações físicas ou mentais, e passar no teste de condicionamento físico de comandos (marcha de 3 km com mochila equipada em 12 minutos, 60 flexões, 100 abdominais, 80 agachamento de joelhos, e corrida de 3,2 km em 8 minutos). Os aprovados na aptidão física têm de enfrentar os 4 dias de testes de comandos, realizado no ISSB (Inter Services Selection Board), em Dhaka. Na parte física, alguns testes avançados são feitos apenas para oficiais comissionados. Os sargentos e soldados rasos têm que enfrentar um teste diferente, onde sua resistência física e mental é julgada. Esses são obrigatórios para todos (também para os candidatos estrangeiros de países amigos). Após passar em todos esses, um soldado pode entrar no Treinamento de Comandos.

O curso de para-comandos tem duração de 30 a 32 semanas, composto por duas fases principais, que são: Fase de Comandos de 26 semanas e a Fase Aerotransportada de 4 a 6 semanas (depende do número de alunos). O treinamento de comandos é realizado em Sylhet e em áreas próximas. Para o treinamento de montanha, os alunos são levados para a área de Chittagong. A todo momento o formando é levado ao mais alto nível de trabalhos físicos e mentais. Realizado durante o dia e a noite, esses treinamentos incluem: ataque altamente profissional, emboscada, ação direta, assalto aéreo, operação secreta, reconhecimento, demolições subaquáticas, guerra não convencional, contra-insurgência e contra-terrorismo, combate corpo a corpo, sobrevivência e muitos mais. Após a conclusão com sucesso nesta Fase, todos seguem para a Fase Aerotransportada. Esta é a fase final do Curso de Comandos, onde os formandos passam pelo Curso Básico de Paraquedismo onde se qualificam em salto operacional. Um comando tem que realizar no mínimo 5 saltos operacionais em altitudes diferentes para ganhar o seu brevê e poder usar a boina marrom característica da unidade. Seu uniforme de combate utiliza o padrão Woodland de camuflagem. As tropas especiais estão equipadas com pistolas semi-automáticas Browning Hi-Power e Type 92, ambas calibre 9mm, fuzis de assalto Type 56 cal. 7.62mm e Colt Commando M4 cal. 5.56mm, fuzis sniper Accuracy International e RPA Rangemaster, ambos cal. 7.62mm, sub-metralhadoras Heckler & Koch MP-5 cal. 9mm, metralhadoras Type 54 e STK 50MG, ambas cal. 12.7mm, veículos blindados leves 4x4 Otokar Cobra2 e blindados sobre rodas 8x8 BTR-80. Bangladesh tem participado de diferentes missões de paz da ONU desde 1988 e atualmente é um dos maiores contribuintes das Operações de Paz. O Exército empregou suas Forças Especiais em várias missões dos "capacetes azuis", principalmente na Costa do Marfim, Sudão do Sul, República Centro-Africana, Mali e Haiti (MINUSTAH). Esses destacamentos, usando o prefixo BANSF, costumam ser encarregados de operações de resgate de alto risco e ataques contra insurgentes. Em abril de 2017, essas tropas receberam uma "Carta de Recomendação" (Letter of Commendation) do comandante da MINUSCA (Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana), por planejarem e conduzirem com sucesso operações em ambientes de alto risco, que restabeleceram a lei e a ordem em áreas conflagradas, sempre de forma muito profissional e disciplinada. Na "Operação BEKPA 2", as Forças Especiais de Bangladesh (BANSF / 3) lançaram uma ação contra rebeldes, liderada pelo major Shahidul Islam, para libertar uma área do grupo auto denominadoUnité pour la paix en Centrafrique (UPC), e na ocasião mais de 100 reféns foram resgatados. Na "Operação POUPOU" realizaram com sucesso uma ação contra o grupo armado FDPC, que por várias razões, havia interrompido o movimento de todos os tipos de veículos pela Rodovia 1, próximo a aldeia de Zoukumbo. O local era utilizado como esconderijo para cerca de 100 rebeldes do FDPC. Após várias negociações por parte dos elementos da MINUSCA, as operações militares foram vistas como o meio viável de pôr fim a esta situação de crise. Em 3 de abril de 2019, o BANSFC / 3 junto com o BANBAT / 5 foram encarregados de expulsar os membros do grupo armado de Zoukumbo e recuperar 11 veículos de propriedade do governo que estavam em poder dos rebeldes. No âmbito da defesa interna, em ações contra-terrorismo, realizaram a "Operação Mayurpankhi", quando em 24 de fevereiro de 2019 uma aeronave Boeing 737-800 que faria a rota Dakha - Dubai, foi sequestrada por um homem armado chamado Palash, logo após a decolagem. Em seguida, a aeronave fez um pouso de emergência no aeroporto de Chittagong. Embora sua intenção não fosse clara, as autoridades estavam tentando negociar com ele. Mas quando tudo falhou, o governo ordenou à Brigada de Para-Comandos que planejasse uma ação e logo seus comandos se dirigiram para o aeroporto, onde em em apenas oito minutos o sequestrador foi morto a tiros, e os 148 passageiros e tripulantes foram libertados sem nenhum ferimento.




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