O Comando de Forças de Operações Especiais
da Croácia (em croata: Zapovjedništvo Specijalnih
Snaga - ZSS) é uma unidade de elite subordinada ao
Estado-Maior das Forças Armadas, juntamente com o Exército,
a Força Aérea e a Marinha. Sua missão é
conduzir operações especiais em nome do governo
croata e do Ministério da Defesa. Seus integrantes são
conhecidos informalmente como "Boinas Verdes"
devido ao seu distintivo. É a unidade militar mais recente
com status equivalente aos demais ramos das forças
armadas, contando com um efetivo de mais de 300 militares. Mantém
estreita cooperação com a Agência de Segurança
e Inteligência Militar da Croácia (VSOA).
Esta unidade supervisiona operações aerotransportadas
especializadas, contra-insurgência, contraterrorismo, operações
encobertas, ação direta, resgate de reféns,
operações contra alvos de alto valor, de Inteligência
e guerra não convencional. As Forças Especiais foram
criadas em 2015 a partir do Batalhão de Operações
Especiais (BSD), que existiu até o ano anterior,
visando estabelecer uma forças interoperáveis e
de rápido desdobramento, capazes de responder adequadamente
aos desafios de segurança atuais e futuros. O Batalhão
Zrinski foi a primeira unidade, inicialmente vinculada a Guarda
Nacional, e posteriormente ao Exército estabelecida em
Kumrovec em maio de 1991, durante a Guerra de Independência
do país. O núcleo da unidade consistia em 27 voluntários
e ex-militares da Legião Estrangeira Francesa de origem
croata. Sediada na vila de Kumrovec, na região de Hrvatsko
Zagorje próximo à fronteira com a Eslovênia,
foi escolhido por ser inacessível a ataques aéreos
da Força Aérea Iugoslava sem que houvesse violação
do espaço aéreo esloveno ou austríaco. Ao
longo da guerra, após o recrutamento e treinamento adicionais
de voluntários, a unidade atingiu o efetivo de uma companhia,
contando com cerca de 150 integrantes em seu auge. A unidade sofreu
26 baixas fatais antes de ser fundida com outras unidades de forças
especiais do Exército Croata para formar o 1.º HGZ
(1. Hrvatski Gardijski Zdrug - 1º Agrupamento da
Guarda Croata) em abril de 1994. O Batalhão Zrinski foi
mobilizado pela primeira vez em 15 de junho de 1991. A unidade
foi posicionada em Vukovar, com a missão de preparar as
defesas da cidade e organizar e treinar tropas locais. Em agosto
o Batalhão deslocou-se para a região de Banovina,
onde expulsou as forças sérvias da cidade de Hrvatska
Kostajnica. Em setembro, a tropa foi deslocada para Gospic, participando
da batalha contra o Exército Popular Iugoslavo (JNA).
Durante os combates seus homens atacaram o quartel de Kania,
capturaram o Major-General Trajce Krstevski e 32 soldados. Após
a operação em Gospic, parte do efetivo seguiu para
a Bósnia e Herzegovina, prevendo novos conflitos na região,
enquanto o restante da unidade retornou a Kumrovec. Em 1992, elementos
do Batalhão Zrinski participaram da Batalha de Kupres,
antes de estabelecerem um campo de treinamento na cidade de Tomislavgrad.
Mais tarde naquele ano, integraram a Operação Tigre,
que visava romper o Cerco de Dubrovnik. Em 1993, na Operação
Maslenica, combateram na região de Škabrnja. A Agência
Central de Inteligência (CIA) avaliou o Batalhão
Zrinski como uma das melhores unidades do Exército Croata.
A unidade participou de várias batalhas importantes da
Guerra de Independência da Croácia e da Guerra da
Bósnia. Em 1995 já dispunha de sua própria
artilharia e helicópteros
de ataque Mil Mi-24, além de helicópteros
de transporte Mil Mi-8. Deslocado para o oeste de Livno,
no início de junho, para participar da Operação
Leap 2, 0 Batalhão participou da tomada das cidades de
Bosansko e Glamoc. Como parte dos preparativos para a Operação
Tempestade, seus homens foram reposicionados em direção
a forças do Exército Sérvio que protegia
os acessos ao norte de Knin, território que a Croácia
reivindicava como seu. Em setembro de 1995, integrou a Operação
Mistral 2, que ampliou o controle da Croácia no oeste da
Bósnia e Herzegovina e resultou na tomada das cidades de
Jajce, Šipovo e Drvar, deslocando a linha de confronto para
o norte, em direção a Banja Luka, a capital dos
sérvios da Bósnia. Durante a Guerra de Independência,
75 membros do Batalhão Zrinski e de outras unidades de
forças especiais morreram em combate, 286 ficaram feridos
e 2 foram dados como desaparecidos em ação.
O 1º HGZ foi dissolvido em 2000 e seus componentes foram
reorganizados. Uma parte foi fundida com o Centro de Habilidades
de Combate Especial em Šepurine para formar o Batalhão
de Operações Especiais (em croata: Bojna za
Specijalna Djelovanja - BSD). O restante da unidade foi absorvido
por várias unidades dentro do Exército. O BSD
era composto por uma seção de comando e cinco companhias,
cada uma especializada em um tipo diferente de missão.
A reorganização e transformação do
Batalhão de Operações Especiais no Comando
de Forças de Operações Especiais da Croácia
(CROSOFCOM) foram concluídas em fevereiro de 2015.
Uma reorganização subsequente em 2019 resultou na
criação dos 3º, o 4º e o 5º Grupos
de Forças Especiais, respectivamente. Paralelamente foi
ativado o 3º Pelotão de Aviação de Operações
Especiais, para apoiar o CROSOFCOM com seus helicópteros
Mil Mi-17Sh e com os novos helicópteros UH-60M
Blackhawk, adquiridos em 2022. Atualmente está
assim organizado: Comando / Quartel-General – responsável
por comando, controle, comunicações, Inteligência,
logística, apoio médico, suprimento e transporte;
1º Grupo de Forças Especiais – especializado
em assalto aéreo e operações aerotransportadas
como Força de Reação Rápida (RRF)
durante emergências que exijam intervenção
militar. As capacidades incluem operações clandestinas,
guerra em clima frio, busca e salvamento em combate (CSAR),
contrainsurgência, ação direta, contraterrorismo
doméstico, controle aéreo avançado (FAC),
guerra irregular, guerra na selva, penetração de
longo alcance, guerra de manobra, guerra em montanha, reconhecimento
especial e guerra urbana, composto pelas SOTU 11 (Special
Operations Task Unit), SOTU 12 e SOTU 13;
2º Grupo de Forças Especiais – comparável
aos SEALs
da Marinha dos EUA, especializado em busca e salvamento
aéreo-marítimo, reconhecimento anfíbio em
preparação para operações de guerra
anfíbia, operações clandestinas, ação
direta, contraterrorismo marítimo, resgate de reféns,
penetração de longo alcance, abordagem naval, guerra
naval especial, reconhecimento especial, demolição
subaquática e proteção de autoridades (VIP),
composto pelas SOMTU 21 (Special Operations Maritime
Task Unit), SOMTU 22, SOMTU 23; 3º
Grupo de Forças Especiais composto pela Companhia de Apoio,
que atende as demandas necessárias para o funcionamento
diário e inclui um esquadrão K9 (cães de
serviço) e pela Companhia de Treinamento, responsável
pela organização da seleção e do treinamento
dos novos membros; 4º Grupo de Forças Especiais –
especializado em operações de busca e salvamento
em combate (CSAR); e 5º Grupo de Forças Especiais
– especializado em operações psicológicas
(PSYOPs). No âmbito da cooperação
internacional, participa frequentemente de exercícios conjuntos
com unidades de Forças Especiais dos Estados Unidos, Alemanha,
Polônia, Grã-Bretanha e de outros países membros
da OTAN. Entre os principais equipamentos à disposição
podemos citar as pistolas semi-automáticas HS2000
cal. 9mm de produção local, submetralhadoras H&K
MP5 e H&K MP7 ambas cal. 9mm, fuzis de assalto
VHS de fabricação local, H&K G36,
Colt M4 e FN F2000, todos cal. 5.56mm, fuzis sniper
H&K PSG1, M40 e Sako TRG-42, lança-rojões
AT4, mísseis antiaéreos 9K38 Igla
e veículos 4x4 Mercedes G, Iveco LMV, Oshkosh M-ATV
e HUMVEE M1151.