| Abwehr, o serviço secreto alemão Sob o comando do Almirante Canaris, as ações da Inteligência militar durante a Segunda Guerra. |
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Antes do início da guerra, o Abwehr era bastante ativo e eficaz, pois construiu uma ampla rede de contatos, desenvolvendo ligações com os ucranianos que se opunham ao regime soviético, conduzindo reuniões com nacionalistas indianos que trabalhavam contra o domínio britânico na Índia e estabelecendo um acordo de compartilhamento de informações com os japoneses. Houve até alguma infiltração significativa na extensão da capacidade industrial e potencial econômico dos Estados Unidos e dados foram coletados pela Abwehr sobre a capacidade militar americana e planejamento de contingência. Após assumir o controle absoluto sobre o OKW em fevereiro de 1938, Hitler declarou que não queria homens da Inteligência sob seu comando, mas homens de brutalidade, uma observação que não agradou Canaris. Sob seu comando, o Abwehr se expandiu e provou ser eficiente durante os primeiros anos da guerra. Seu sucesso mais notável foi a Operação Nordpol, que era uma ação contra a rede subterrânea holandesa, que na época era apoiada pelo Special Operations Executive (SOE) organização secreta britânica. Concomitante coletou informações sobre os embarques de entrada e saída dos portos dinamarqueses e noruegueses e, como resultado, mais de 150.000 toneladas de cargas diversas foram destruídas. Agentes na Noruega e na Dinamarca penetraram com sucesso em suas Forças Armadas, mantendo as forças alemãs, particularmente a Luftwaffe, intimamente informadas durante a invasão da Noruega o suficiente para determinar a disposição das forças terrestres em ambos os países. A Abwehr montou o que se chamaria de uma operação de inteligência bem sucedida em alguma escala e provou ser crítica para o sucesso dos esforços militares alemães no Norte da Europa.
Em colaboração com agentes da SD, a Abwehr elaborou a Operação Bernhard um plano para falsificar as notas de papel moeda emitidas pelo Banco da Inglaterra. A ideia inicial era lançar essas notas falsas sobre a Grã-Bretanha para provocar um colapso da economia britânica durante a Segunda Guerra. A primeira fase foi executada desde o início de 1940 pelo SD sob o codinome de Operação Andreas. A unidade duplicou com sucesso o papel usado pelos britânicos, produziu blocos de gravação quase idênticos e deduziu o algoritmo usado para criar o código serial alfanumérico em cada nota. Em vez de uma unidade especializada, agentes alemães selecionaram prisioneiros judeus que dominavam a arte de cunhar moedas que foram enviados ao campo de concentração de Sachsenhausen para trabalhar sob o comando do major da SS Bernhard Krüger. A unidade produziu notas britânicas até meados de 1945; as estimativas variam quanto ao número e valor das notas impressas, de £ 130 milhões a £ 300 milhões. Quando a unidade encerrou a produção, eles haviam aperfeiçoado a arte em dólares americanos, embora o papel e os números de série ainda estivessem sendo analisados. O dinheiro falsificado foi lavado em troca de dinheiro e outros ativos. Notas falsas da operação foram usadas para pagar ao agente albanês Elyesa Bazna - codinome Cícero - por seu trabalho na obtenção de segredos britânicos do embaixador da Grã-Bretanha em Ancara. Eram tão bem feitas que a falsificação só foi descoberta depois do fim da guerra. Um grande fracasso do Abwehr ocorreu quando a existência de uma rede de espiões, que operava fora da Áustria e vinha trabalhando com os Aliados, foi descoberta pela Gestapo. Seus membros forneceram ao Office of Strategic Services (OSS) americano planos e informações sobre as instalações em Peenemünde, sobre os projetos dos foguetes V-1, V-2, de tanques Tiger, das aeronaves Messerschmitt Bf 109, Messerschmitt Me 163 Komet, entre outros e forneceu informações sobre a existência dos infâmes campos de concentração, como o de Auschwitz. Apesar do uso da tortura pela Gestapo, os nazistas foram incapazes de descobrir a verdadeira extensão do sucesso do grupo, particularmente no fornecimento de informações para a Operação Crossbow e Operação Hydra, ambas missões preliminares para a Operação Overlord (a invasão da Normandia, o Dia-D). Embora tenha se dedicado a exercer sua função no comando da Abwehr, a realidade é que o Almirante Wilhelm Canaris, já havia algum tempo, se mostrava insatisfeito com as diretrizes políticas e militares de Hitler, colocando em dúvida a legitimidade do regime ao qual servia. Assim, em julho de 1944, após uma tentativa frustrada de um grupo de oficiais alemães em assassinar o Führer, do qual se suspeitava que Canaris fizesse parte, ele foi preso e executado em abril de 1945. |
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