O Grupo de Serviço Aéreo Especial da Nova Zelândia
(New Zealand Special Air Service - NZSAS) é a mais
importante unidade de combate das Forças de Defesa neozelandesas.
Baseado na cidade de Auckland é composto por oficiais e soldados
altamente profissionais e comprometidos com a busca da excelência.
Seu lema: "Who dares wins" ou "Aquele que ousa
vence". O NZSAS tem suas raízes no famoso Long Range
Desert Group, uma unidade do exército inglês que lutou
nos desertos do Norte da África durante a Segunda
Guerra Mundial. Em 1955, o exército neozelandês decidiu
criar um esquadrão, nos moldes do SAS
britânico, especializado na luta contra-insurgência
ou guerra não convencional. De um total de 800 voluntários
civis apenas 140 foram aceitos para continuar o treinamento na base
da RAF em Singapura, para especialização em paraquedismo
e combate em ambiente de selva. Um terço de seu contigente era
formado por homens da etnia Maori, que provaram ser não somente
corajosos e excelentes rastreadores, mas também ajudaram muito
no contato com aborígenes de outros países. Seu batismo
de fogo ocorreu no mesmo ano, quando 133 de seus homens foram enviados
para combater guerrilheiros comunistas nas selvas da Malásia,
numa campanha que durou quase dois anos.
Atualmente, para ser incorporado ao NZSAS, voluntários das três
Armas devem passar com sucesso por um curso de seleção
de dez dias na localidade de Waiouru, onde são testados no limite
de suas forças física e mental. No primeiro dia são
submetidos aos exames de aptidão normais do exército adaptados
aos requerimentos do NZSAS. Os três dias seguintes são
dedicados à navegação e orientação
em campo aberto, onde cada voluntário carrega uma mochila de
35 kg e seu rifle, com um mínimo de comida e com poucos momentos
para descanso. No quinto dia é a vez do famoso "Exercício
Von Tempsky" que consiste em uma marcha de 24 horas em
terreno pantanoso ou sobre dunas de areia, carregando o rifle, a mochila
de 35 kg e mais um ou dois galões de 20 litros. Os oficiais passam
por um teste adicional, com duração de dois dias, onde
são avaliadas as suas qualidades de liderança. Mesmo os
candidatos aprovados na seleção inicial ainda passarão
por severos exames médicos, psicológicos e acadêmicos
antes de iniciarem o treinamento de nove meses do NZSAS, onde todos
receberão noções básicas de navegação,
manuseio de armas, primeiros-socorros, demolição com explosivos
e artes marciais, entre outros. O treinamento avançado compreende
especialização em paraquedismo, mergulho, montanhismo,
infiltração e exfiltração atrás das
linhas inimigas. Ao final receberão a tão almejada boina
cor de areia e o cinturão azul da unidade. Apenas 10 a 15% dos
voluntários conseguem concluir com sucesso o período de
treinamento.
Em 2000 foi criado o esquadrão Commando (antigo Counter Terrorist
Assault Group - CTTAG), oficialmente como parte do NZSAS,
dedicado à luta anti-terrorista. Seus membros recebem treinamentos
específicos tais como combate em áreas urbanas, entrada
dinâmica e "limpeza" de cômodos, resgate de reféns
e técnicas de sniper. O grupo está apto a responder prontamente
à ameaças terroristas em qualquer parte do território
neozelandês. Os membros do NZSAS utilizam o uniforme padrão
das Forças de Defesa do país e dentre seus equipamentos
e armas estão o fuzil de assalto Steyr
AUG 77, de 5.56 mm, pistolas SIG Sauer P226, de 9 mm, metralhadoras
FN Minimi C9, de 5.56 mm, navegadores GPS, óculos de
visão noturna modelo M983, binóculos NVG modelo
N/CROS Mk.III, lanchas rápidas e equipamentos de mergulho de
circuito fechado.
Desde de sua criação o NZSAS participou de diversas campanhas
no exterior: além da Malásia em 1955 já citada
acima, atuou em Borneo em 1965 ao lado de membros dos SAS britânicos
e australianos, contra insurgentes indonésios; no Vietnã
em 1968, onde um destacamento denominado 1º Ranger Squadron
serviu sob o comando da Austrália, cumprindo missões que
envolviam emboscadas a forças inimigas, e tarefas de reconhecimento
e observação em área hostil; no Kuwait em fevereiro
de 1998, onde 24 membros da NZSAS tinham a tarefa de resgatar possíveis
pilotos abatidos em território inimigo (C-SAR), durante a campanha
aérea liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque, na chamada
"Operação Griffin"; no Afeganistão
no período de 2001-2005, na "Operação Enduring
Freedom", onde equipes de cinquenta homens se rodiziavam de
seis em seis meses. Em 17 de junho de 2004, dois homens do NZSAS foram
feridos durante uma incursão ao amanhecer na região central
do país. O soldado Willie Apiata carregou o companheiro severamente
ferido por 70 metros, sob fogo cerrado de metralhadoras e granadas,
após seu veículo ser destruído em uma emboscada,
até conseguir se juntar aos demais membros da equipe em local
protegido. Em reconhecimento por suas ações neste
engajamento, o soldado Willie Apiata foi condecorado com a medalha Victoria
Cross pela Nova Zelândia. Em dezembro de 2004, a comenda
United States Navy Presidential Unit Citation foi outorgada
a todas as unidades SAS que haviam contribuído em neutralizar
as forças do Talibã e da Al Qaeda, em missões extremamente
arriscadas, incluindo busca e resgate, reconhecimento especial, destruição
de complexos de cavernas e túneis, e captura de membros importantes
daquelas organizações, sempre demonstrando extraordinários
heroísmo e coragem.